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FGV reúne prefeituras do Rio e Niterói para debater resiliência climática

Encontro realizado na 78ª Reunião Anual da SBPC destacou o uso de Inteligência Artificial e a integração de dados para mitigar riscos após ventos de mais de 100 km/h paralisarem a região metropolitana.
FGV reúne prefeituras do Rio e Niterói para debater resiliência climática

No dia 30 de julho, em Niterói, pesquisadores e gestores públicos reuniram-se durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para a mesa-redonda do Centro de Inteligência Artificial para Mobilidade, Ambiente e Resiliência (FGV CR²).

O encontro ocorreu após o impacto direto de um vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro com ventos superiores a 100 km/h (mais de 50 nós), resultando em destruição, fechamento da Ponte Rio-Niterói, falta de energia, paralização do transporte urbano e perda de vidas na região metropolitana. O debate focou em como a tecnologia e a articulação institucional podem preparar as cidades para eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.

O objetivo central da mesa foi apresentar e discutir as iniciativas que buscam alinhar pesquisas em modelagem de riscos climáticos, impactos socioeconômicos de eventos extremos, mobilidade urbana e o uso de Inteligência Artificial (IA) para fortalecer a resiliência dos territórios e promover a cooperação entre a academia, o setor público e o setor privado.

Resiliência na Prática e Alertas à População

A Vice-prefeita de Niterói, Isabel Swan, destacou que a cidade tem investido pesadamente em contenção de encostas desde o desastre do Morro do Bumba, com aportes que somam mais de R$ 1,5 bilhão. Sobre o vendaval recente, ela ressaltou a necessidade de aprimorar a resposta social:

"A comunicação à população foi feita um dia antes, mas ainda assim, efetivamente, a gente precisa de uma comunicação mais ativa, hora a hora, para que todo mundo esteja atento e aja enquanto coletivo".

Fabiana Leite, Subsecretária de Inovação, Ciência e Tecnologia (SMICT) de Niterói, complementou a análise sob a ótica da economia comportamental, observando que o cidadão nem sempre reage aos alertas:

"Os cidadãos brasileiros não agem imediatamente quando tem um alerta, a política pública precisa olhar para a forma como o cidadão toma decisão".

Monitoramento e Inteligência de Dados no Rio de Janeiro

Pela Prefeitura do Rio, a Subsecretária de Transformação Digital e Cidades Inteligentes na Casa Civil, Raquel Flexa, enfatizou que o Centro de Operações Rio (COR), criado após as chuvas de 2010, tornou-se o coração da resiliência carioca.

Ao falar sobre bairros vulneráveis que ficam abaixo do nível do mar, ela comparou as intervenções do Rio às técnicas utilizadas na Europa:

"Em Jardim Maravilha e Acari, por exemplo, vamos colocar parques e esponjas ali para conseguir, justamente, fazer uma retenção. Estamos fazendo como na Holanda: vai ter dique no Jardim Maravilha".

"Quem não conhece o passado não consegue ver a importância daquela infraestrutura [dos piscinões da Tijuca]. Nos anos 90, fiquei parada em enchentes inúmeras vezes; hoje, se passa com tranquilidade por aquela região".

O Papel do Governo Federal e da Academia

Hugo Valadares Siqueira, Diretor de Incentivos às Tecnologias Digitais do MCTI, reforçou a importância da integração nacional de dados. Ele ressaltou que o Rio de Janeiro é um dos estados mais avançados na digitalização e que o governo federal tem total interesse em integrar esses modelos:

"Os dados são do Rio de Janeiro, mas servem para treinar modelos em São Paulo, servem para treinar em Goiânia... os modelos são de variabilidade".

A IA foi o tema central de Denis Bruno Virissimo, Gerente da Unidade de Inteligência Artificial do IPT, que alertou para a necessidade de transparência nos algoritmos usados em políticas públicas:

"Os modelos de IA têm que trazer uma explicabilidade, porque, no final das contas, a política pública tem que se prestar também a trazer para o município, para o cidadão, o motivo de aquilo estar sendo feito".

Soluções Tecnológicas e Infraestrutura

O Diretor do Núcleo de Estudos em Biomassa e Gerenciamento de Águas (NAB) da UFF, Raimundo Nonato Damasceno, apresentou a pirólise, oriunda do coco verde, como uma solução para o tratamento de resíduos e geração de energia limpa:

"A pirólise mata os patógenos, e converte biomassa em líquido ou em carbono”, explicou o professor.

O coordenador do FGV Cidades, Ciro Biderman, complementou que esses resíduos podem alimentar, por exemplo, a frota de caminhões de lixo de Niterói.

Conclusão e Próximos Passos

O evento encerrou com um consenso sobre a urgência de parcerias transversais. Eduarda de La Rocque, Diretora de Controles Internos, Riscos e Conformidade na IRB-Brasil Resseguros, enfatizou que os dados e produtos devem focar nos mais vulneráveis:

"A crise climática vem para todos... e a gente tem que desenvolver produtos e dados não para os mais ricos e sim para os mais vulneráveis".

Goret Paulo, Diretora de Pesquisa e Inovação da FGV que moderou o debate, finalizou reforçando a necessidade de as instituições de pesquisa contribuírem com a gestão pública municipal para desenho e avaliação de políticas públicas, através de análises e recomendações baseadas em dados.

Também participaram do encontro o Coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo; o Pesquisador da Columbia University, Bernard Salanié; o Professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), Gesner Oliveira; o Professor da Escola de Matemática Aplicada (FGV EMAp), Jorge Luis Poco Medina; e o Pesquisador do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (FGV CERI), Rafael Martins.

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Encontro realizado na 78ª Reunião Anual da SBPC destacou o uso de Inteligência Artificial e a integração de dados para mitigar riscos após ventos de mais de 100 km/h paralisarem a região metropolitana.
Data
2026-07-31T12:00:00