Cisterns for life: Climate Adaptation policies for water provision and rural lives
Bilhões de pessoas em todo o mundo percorrem longas distâncias diariamente para buscar água que muitas vezes não é segura para consumo humano. As mudanças climáticas devem agravar esse problema crítico, ameaçando o desenvolvimento econômico de regiões áridas e representando sérios riscos à saúde. Este artigo avalia um programa de adaptação climática em larga escala e de baixo custo que construiu um milhão de cisternas de armazenamento de água da chuva na região mais pobre e mais propensa à seca do Brasil. Utilizando dados administrativos únicos em nível individual e um desenho de diferenças-em-diferenças, mostramos que o programa melhorou substancialmente os resultados econômicos e de saúde, beneficiando tanto adultos quanto crianças no domicílio.
Em dez anos, a dependência das famílias em relação às transferências de renda caiu até 19 pontos percentuais, enquanto os rendimentos provenientes de empregos formais aumentaram em 20%. As internações associadas a doenças transmitidas pela água diminuíram 16% entre adultos e 37% entre crianças, e a conformidade das famílias com as condicionalidades de saúde e educação das transferências de renda melhorou. Evidências adicionais sugerem que os ganhos econômicos foram impulsionados pela redução das restrições de tempo: as cisternas reduziram drasticamente o fardo de coleta de água, permitindo que os beneficiários dedicassem mais tempo a atividades produtivas. Uma análise de custo-benefício indica um alto valor marginal dos recursos públicos em comparação com uma ampla gama de políticas públicas.
Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP)
Pesquisador: Daniel da Mata