À medida que os eventos climáticos extremos relacionados às mudanças do clima continuam aumentando tanto em frequência quanto em severidade, a proteção de setores críticos, como a agricultura, exige uma mudança de uma abordagem reativa, baseada em compensações após os desastres (ex-post), para uma abordagem preventiva, focada na redução de riscos antes que os eventos ocorram (ex-ante).
Com base nos insights da 2ª edição do Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil, da CNseg, este painel destaca que uma parcela significativa das perdas econômicas resulta de secas prolongadas, que impactam fortemente a produção agrícola.
A partir dessas evidências, a FGV demonstrará como instrumentos de seguro combinados com estruturas de blended finance (financiamento misto), reunindo capital público, privado e concessional, podem reduzir os riscos dos investimentos em adaptação antes que os desastres aconteçam. Em seguida, a The Nature Conservancy (TNC) mostrará como as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e as práticas agrícolas sustentáveis podem reduzir diretamente os riscos climáticos, gerando valor financeiro mensurável para seguradoras, investidores e mercados de capitais.
Ao conectar seguros, inteligência de riscos, financiamento misto e práticas sustentáveis de uso da terra, este painel apresenta um roteiro prático para aumentar a bancabilidade dos projetos, mobilizar capital e fortalecer a resiliência climática de longo prazo nos sistemas agrícolas.
Perguntas Orientadoras
- Como as evidências empíricas do Radar de Eventos Climáticos e Seguros podem ajudar a quantificar a lacuna de proteção no setor agrícola e orientar estratégias de adaptação ex-ante?
- Como os mecanismos de seguro e as estruturas de blended finance podem atuar como ferramentas eficazes de mitigação de riscos, destravando investimentos em agricultura sustentável e Soluções Baseadas na Natureza?
- Como a adoção de práticas agrícolas sustentáveis reduz a exposição aos riscos climáticos e de que forma essa redução de risco pode ser incorporada aos processos de precificação de seguros, subscrição (underwriting) e alocação de capital?
Estrutura do Painel
O painel foi concebido em torno de três segmentos complementares que constroem uma narrativa contínua:
1. Abertura e Diagnóstico de Riscos (CNseg)
A CNseg abre a sessão apresentando os principais resultados da 2ª edição do Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil, destacando a dimensão dos desastres climáticos no país, o agravamento das secas e a elevada concentração das perdas no setor agrícola.
2. Instrumentos Financeiros e Adaptação Ex-Ante (FGV)
A FGV demonstra como mecanismos de seguro integrados a estruturas de blended finance, combinando capital público, privado e concessional, podem reduzir riscos de investimento e viabilizar medidas de adaptação antes da ocorrência de eventos extremos. Esses instrumentos financeiros ajudam a diminuir a exposição, a vulnerabilidade e as perdas potenciais, ao mesmo tempo em que aumentam a atratividade e a financiabilidade dos projetos de adaptação.
3. Redução de Riscos por Meio de Práticas Sustentáveis (TNC)
A TNC complementa a discussão apresentando como práticas agrícolas sustentáveis e Soluções Baseadas na Natureza podem transformar os perfis de risco das paisagens agrícolas, com base em evidências de práticas regenerativas que ajudam agricultores a lidar com incertezas climáticas e a manter a segurança alimentar e hídrica.
Discussão Integrada
Discussão moderada focada na interseção entre dados de risco climático, a transição climática do setor agrícola e soluções inovadoras de financiamento para adaptação e resiliência.
Evidências de Apoio e Dados-Chave (CNseg)
- Escala das perdas climáticas: Entre 2022 e 2024, o Brasil registrou aproximadamente R$ 184 bilhões em perdas econômicas decorrentes de desastres climáticos. Somente no primeiro semestre de 2025, foram registrados mais R$ 31 bilhões em perdas.
- Vulnerabilidade desproporcional da agricultura: Secas e estiagens prolongadas representam a principal causa das perdas financeiras no Brasil, afetando de forma desproporcional a produção agrícola e as economias rurais.
- Lacuna significativa de proteção: Estimativas atuais indicam que apenas cerca de 9% das perdas econômicas associadas a desastres climáticos no Brasil estão cobertas por apólices de seguro.
- Necessidade de mecanismos de mitigação de risco: A ampliação dos investimentos em Soluções Baseadas na Natureza exige mecanismos eficazes de redução de risco.
Painelistas
- Goret Paulo - Fundação Getulio Vargas (FGV), Diretora de Pesquisa e Inovação.
- Claudia Prates - Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Diretora de Sustentabilidade.
- Clare Shakya - The Nature Conservancy (TNC), Diretora-Geral Global de Clima.
Organizadores
- Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg)
- Fundação Getulio Vargas (FGV)
- The Nature Conservancy (TNC)