As contribuições da academia para construção de cidades resilientes foi destaque no “Just Transition Pavilion” na COP 30
A diretora de Pesquisa e Inovação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Goret Paulo, participou do painel “Urban Heat & Vulnerability: Advancing Climate Justice Through Inclusive and Resilient Adaptation”, no dia 14 de novembro. O encontro reuniu especialistas e tomadores de decisão para debater soluções concretas que integram políticas públicas, finanças e seguros na construção de cidades mais resilientes frente ao aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos.
A sessão abordou como metrópoles como Rio de Janeiro e Helsinque podem contribuir com a agenda climática global ao promover adaptações inclusivas, baseadas em planejamento urbano sustentável, sistemas de alerta precoce, infraestrutura resiliente e práticas como reuso de água e economia circular, garantindo que os benefícios das políticas climáticas baseadas em evidências alcancem toda a população.
Entre os destaques do painel, Goret Paulo enfatizou a importância da colaboração entre academia e governos locais desde a etapa inicial da pesquisa para gerar impacto real:
“A academia deve se conectar com as cidades desde o início do desenvolvimento de projetos de pesquisa para que os gestores públicos ajudem a definir as questões de pesquisa e validem potenciais soluções. Só assim conseguimos desenvolver contribuições que tragam benefícios concretos para a sociedade”, afirmou.
Goret apresentou ainda o conceito de Societal Readiness Level (SRL), que mede o nível de desenvolvimento de uma pesquisa e a sua capacidade de gerar produtos ou serviços inovadores prontos para serem utilizados para elevar o bem estar da sociedade.
A diretora alertou para a crescente severidade dos eventos climáticos. Segundo ela, essa realidade exige não apenas infraestrutura resiliente, mas também capacidade de coleta, tratamento e análise de dados para prevenção e reparação dos impactos destes desastres:
“A infraestrutura resiliente e uso eficiente de dados são fundamentais para reduzir custos com desastres naturais, proteger vidas, garantir segurança hídrica e energética e melhorar a qualidade de vida urbana”, explicou Goret.
A diretora mencionou também que avanços tecnológicos já reduziram custos e aumentaram a capacidade de armazenamento e processamento de dados, mas que ainda são pouco aproveitados pelos governos. “Adotar soluções tecnológicas pode melhorar a qualidade dos serviços públicos sem aumentar gastos”, ressaltou.
Goret destacou ainda recomendações para o desenvolvimento de modelo de habitação social, incluindo o uso de plataformas digitais que conectem proprietários e potenciais locatários, com apoio de fintechs para seguro garantia de aluguel e gestão transparente; iniciativas para mobilidade sustentável, com expansão do transporte público em combinação com transporte por aplicativo para a “última milha”; eletrificação de frotas para reduzir emissões e melhorar a experiência do usuário e modelos inovadores de seguros paramétricos, baseados em “blended finance” que combinam investidores privados, do setor público e filantrópicos para viabilizar proteção contra eventos extremos e apoiar municípios na adaptação climática.
Além de Goret Paulo, participaram do painel: Hanna Wesslin, Climate Director da Cidade de Helsinque; Thiago Medaglia, Jornalista, escritor e fundador da Ambiental Media; Pedro Werneck, Gerente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg); e Vitalson Exantus, Presidente e Head of Mission da Organization of Democrats for Integration and Development (ODID). A moderação ficou por conta da Diretora Executiva de Impacto do Pulitzer Center: Flora Pereira.
A cobertura completa da participação dos pesquisadores da Fundação Getulio Vargas na COP30, incluindo agendas, conteúdos exclusivos e contribuições dos pesquisadores da instituição para a ação climática global, está disponível na Plataforma Agenda do Clima FGV. As opiniões expressas nesta publicação são de exclusiva responsabilidade dos pesquisadores colaboradores e não refletem necessariamente a posição oficial da Fundação.