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FGV e União Europeia debatem novas rotas de investimento em bioeconomia

No Parlamento Europeu e na Comissão Europeia, pesquisadores da Fundação defendem métricas comuns, financiamento direto a produtores e a transição da "economia da mercadoria" para a "economia da floresta".
FGV e União Europeia debatem novas rotas de investimento em bioeconomia

No dia 4 de junho, Bruxelas, o centro político da Europa, tornou-se palco para a Amazon Week 2026, uma iniciativa estratégica liderada pela Missão do Brasil junto à União Europeia e a ApexBrasil para promover o comércio sustentável e a preservação florestal. O evento reuniu lideranças políticas e especialistas para discutir como transformar a biodiversidade em um ativo econômico global. 

Os painéis foram divididos entre o Parlamento Europeu, focado em viabilizar modelos de desenvolvimento para pequenos produtores, e o Edifício Berlaymont da Comissão Europeia, onde a pauta central foi o financiamento e a redução de risco de projetos de bioeconomia.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) levou evidências científicas ao debate por meio do pesquisador e coordenador do Fórum de Governança Climática da Escola de Direito de São Paulo, Marcelo Behar, que também é o Enviado Especial para Bioeconomia da COP30. 

Behar foi um dos principais oradores nas assembleias, enquanto André Portela, coordenador do Centro de Microeconomia Aplicada (C-Micro) e Guilherme Bastos, coordenador do Centro de Estudos em Agronegócio (FGV Agro) integraram os debates, consolidando a FGV como ponte entre a produção de conhecimento científico e a implementação de políticas públicas internacionais.

Inclusão Social e "Mapas do Caminho" no Parlamento Europeu

No Parlamento Europeu, a discussão centrou-se em como garantir que a bioeconomia não seja apenas um conceito abstrato, mas uma realidade que aumente a renda de quem vive na floresta. Marcelo Behar apresentou uma visão sistêmica da bioeconomia como o único caminho para sustentar o PIB mundial de 100 trilhões de dólares e, simultaneamente, interromper o desmatamento de 11 milhões de hectares anuais.

Para Behar, a implementação depende de três eixos: os "mapas do caminho" para a descarbonização, o combate direto ao desmatamento e a democratização das finanças.

Ele enfatizou: "O terceiro tema é como nós conseguimos fazer com que as finanças cheguem na ponta, alcançando o pequeno produtor". O pesquisador também defendeu uma mudança radical na percepção das populações locais: "As comunidades tradicionais não são povos pobres deixados à margem do desenvolvimento; são os guardiões da floresta, verdadeiros detentores da natureza global, pois possuem 80% da natureza do mundo".

A necessidade de escala para esses pequenos produtores foi corroborada por Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, que destacou que "70% do setor [agrícola brasileiro] é formado por agricultura familiar" e que o comércio consciente é a chave para o desenvolvimento sustentável. Essa visão foi humanizada pelo depoimento de Maria do Socorro Teixeira Lima, presidente da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio, que descreveu o extrativismo como um pilar de saúde e vida: "O babaçu é parte da nossa economia e integra a bioeconomia. Para nós, a Amazônia é vida. É vida, renda e alimento".

É possível conferir a assembleia na íntegra clicando aqui.

Debate no Edifício Berlaymont: do carbono ao financiamento da floresta em pé

No Edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, o foco voltou-se para a arquitetura financeira necessária para sustentar a bioeconomia. Na ocasião, Marcelo Behar ressaltou que a fragmentação de critérios técnicos é um obstáculo: "Falta muito diálogo entre o Brasil e os marcos da União Europeia para termos métricas comuns entre natureza e emissões. Só em emissões, falamos de 132 métricas de carbono".

Behar propôs que a comunicação sobre o clima precisa ser mais empática para mobilizar a sociedade e o setor privado: "Temos que passar de 'emissões de carbono' para 'emoções de carbono'. Precisamos explicar às pessoas (...) como trazer uma solução que, ao mesmo tempo, reduza as emissões, traga a natureza de volta e distribua recursos". Ele mencionou o fundo Tropical Forest Forever Facility (TFF) como um mecanismo concreto para remunerar a preservação, exemplificando que a comunidade Yanomami poderia receber 36 milhões de dólares por ano apenas pela manutenção de seu território.

O braço executivo da União Europeia respondeu com a apresentação de ferramentas de investimento. Roman Garcia, da Comissão Europeia, detalhou o papel do Global Gateway, uma estratégia para criar projetos "bancáveis" e replicáveis. Segundo Garcia, a iniciativa busca combinar subsídios e garantias para reduzir riscos, atrair investimentos e mobilizar o setor privado, tendo a bioeconomia florestal no Brasil como uma prioridade compartilhada.

 

Subtítulo
No Parlamento Europeu e na Comissão Europeia, pesquisadores da Fundação defendem métricas comuns, financiamento direto a produtores e a transição da "economia da mercadoria" para a "economia da floresta".
Data
2026-06-11T12:00:00