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Pesquisador da FGV alerta para desafios na consolidação do mercado de carbono em painel na COP30

Durante painel na Casa do Seguro, Daniel Vargas destacou que metodologias internacionais não se encaixam integralmente na realidade brasileira e defendeu critérios transparentes para dar credibilidade à transição verde.
Pesquisador da FGV alerta para desafios na consolidação do mercado de carbono em painel na COP30

Em um encontro que reuniu lideranças dos setores ambiental, financeiro e público, Daniel Vargas, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que a transição verde no Brasil exige mais do que boas intenções: é preciso unir ciência robusta e regulação íntegra para consolidar um mercado de carbono confiável. O painel, realizado em 18 de novembro, discutiu o papel estratégico do setor de seguros na viabilização desse mercado, apontando desafios como a adaptação de metodologias internacionais à realidade tropical.

A moderação ficou a cargo de Fabio Damasceno, diretor técnico de Seguro Agrícola, Pecuário e Patrimonial Rural da MAPFRE. Em meio à corrida global pela neutralidade de carbono, Damasceno alertou que os mercados de carbono não podem ser vistos apenas como instrumentos financeiros, mas como mecanismos que viabilizam ações concretas de impacto ambiental.

“Estamos diante de um momento decisivo na agenda climática global. À medida que governos, empresas e investidores se mobilizam para reduzir emissões e alcançar a neutralidade de carbono, fica evidente que mercados de carbono íntegros e transparentes são indispensáveis. Não se trata apenas de instrumentos financeiros, mas de mecanismos capazes de direcionar recursos para ações concretas — da conservação de florestas à restauração de ecossistemas e ao desenvolvimento de tecnologias limpas. Sem confiança, transparência e credibilidade, todo esforço de mitigação perde força.”

Em sua apresentação, Vargas destacou que a transição verde deixou de ser um tema exclusivamente ambiental para se tornar um debate econômico, exigindo critérios rigorosos e transparência para garantir credibilidade. Ele defende que ciência e regulação caminhem juntas para posicionar o Brasil como referência global.

“O debate ambiental deixou de ser apenas ambiental: hoje é econômico. A questão central é como transformar um problema em um regime de transição capaz de realinhar incentivos e incorporar a dinâmica ambiental nos modelos de negócio e nas estratégias nacionais. Mas não basta ser verde — é preciso critérios rigorosos e transparentes que permitam ao mercado acreditar que os compromissos assumidos geram resultados ambientais positivos.”

O professor também chamou atenção para um desafio específico: adaptar metodologias internacionais à realidade brasileira, garantindo rigor sem perder adequação às particularidades tropicais.

“O mundo tropical impõe particularidades que não cabem nos modelos importados. Nosso desafio é tropicalizar metodologias e parâmetros para definir o que é verde e o que não é. Essa adaptação é crucial para que o mercado nacional de carbono seja robusto e confiável.”

Após os demais especialistas apresentarem suas contribuições, o debate completo ficou disponível online e pode ser acessado neste link.

A cobertura completa da participação da Fundação Getulio Vargas na COP30, incluindo agendas, conteúdos exclusivos e contribuições dos pesquisadores da instituição para a ação climática global, está disponível na Plataforma Agenda do Clima FGV. As opiniões expressas nesta publicação são de exclusiva responsabilidade dos pesquisadores colaboradores e não refletem necessariamente a posição oficial da Fundação Getulio Vargas.

Subtítulo
Durante painel na Casa do Seguro, Daniel Vargas destacou que metodologias internacionais não se encaixam integralmente na realidade brasileira e defendeu critérios transparentes para dar credibilidade à transição verde.
Data
2025-11-19T12:00:00