Pesquisador da FGV apresenta soluções para comércio transparente e sustentável em evento da COP30
Na manhã desta quinta-feira (13), o coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), Guilherme Bastos, participou do evento Transparency and Responsible Trading, realizado no espaço do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) durante a COP30. A sessão, organizada em parceria com o fundo norueguês Norway's International Climate and Forest Initiative (NICFI), discutiu caminhos para um comércio internacional mais transparente e sustentável, reunindo representantes de organizações globais.
Entre os participantes estavam representantes da Embaixada da Noruega, Imazon, Instituto Clima e Sociedade (iCS), IPAM, Imaflora, World Wide Fund for Nature (WWF), Amigos da Terra, World Resources Institute (WRI) e outras instituições.
Durante sua apresentação, Bastos destacou o projeto desenvolvido em parceria com à Chinese Academy of Agricultural Science (CAAS), que será financiado pelo NORAD. A iniciativa busca criar uma plataforma de pesquisa para divulgar resultados de análises conjuntas entre equipes e instituições, com foco na promoção de rotas sustentáveis para soja e gado.
“No evento esclarecemos que a ideia não é definir ou substituir protocolos de comércio, mas sim avaliar e revisar os protocolos existentes, além dar suporte técnico à criação de novos protocolos para promover essas rotas. Com isso, fechamos um escopo importante: validar ações entre os dois países para a promoção dessas rotas sustentáveis”, afirmou Bastos.
O pesquisador também apresentou outras iniciativas voltadas à transparência de plataformas, como a aliança com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a CCarbon/USP, que busca tornar mais claros os fatores de emissão e remoção na agricultura tropical. Outro ponto abordado foi a coordenação entre instituições de pesquisa e think tanks,a Rede de Inteligência em Agricultura e Clima (RIAC) apoiada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) formando uma rede voltada à inteligência agroclimática, que está gerando estudos sobre a relação entre agricultura e mudanças climáticas.
Além disso, Bastos apresentou o projeto do Núcleo de Risco Climático, uma evolução do estudo financiado pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), que analisou o impacto das mudanças climáticas na produtividade do milho da segunda safra. A proposta agora é expandir para outras culturas, permitindo estimar os impactos das mudanças climáticas em termos monetários no caso da inação.
“Isso dará dimensão da necessidade de políticas públicas e privadas para promover mudanças nas práticas agrícolas, além da ampliação do seguro rural”, explicou.
Por fim, Bastos destacou a importância da remuneração pelos serviços ambientais oferecidos pelos produtores rurais, especialmente pelo excedente de reserva legal. Essa remuneração funciona como incentivo para que não avancem sobre áreas que poderiam legalmente explorar. Para isso, é necessária uma sinalização do mercado, começando pelo intercâmbio Brasil-China, com estímulos do governo e do consumidor chinês para promover incentivos.
Como exemplo, ele mencionou o Protocolo Boi-China, que estabelece a importação de bois abatidos com menos de 30 meses. Esse protocolo trouxe ganhos econômicos, técnicos e ambientais às propriedades brasileiras, pois a China estava disposta a pagar mais por gado abatido nessas condições.
“Com o aumento da oferta, esse prêmio foi reduzido, mas ainda existe. Esse é um exemplo de como incentivos econômicos podem acelerar mudanças sustentáveis”, concluiu.
A cobertura completa da participação da Fundação Getulio Vargas na COP30, incluindo agendas, conteúdos exclusivos e contribuições dos pesquisadores da instituição para a ação climática global, está disponível na Plataforma Agenda do Clima FGV. As opiniões expressas nesta publicação são de exclusiva responsabilidade dos pesquisadores colaboradores e não refletem necessariamente a posição oficial da Fundação Getulio Vargas.