Relatório GEO Brasil 2025 é lançado oficialmente em plenária do CONAMA
Durante a 148ª Reunião Ordinária da Plenária do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), realizada em 3 de dezembro, ocorreu o lançamento oficial do GEO Brasil 2025, organizado pelo professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), José Antônio Puppim, e a pesquisadora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE), Flavia Donadelli, que apresentou os principais destaques do relatório, com dados inéditos sobre o meio ambiente em diversas temáticas.
O GEO Brasil tem como objetivo analisar a situação da qualidade ambiental no país sob diferentes perspectivas, refletir sobre avanços, desafios e oportunidades de melhoria, fortalecer a relação entre ciência e políticas públicas e oferecer ao governo e à sociedade civil uma fonte confiável e imparcial de dados sobre o meio ambiente e suas tendências.
No cenário global, o GEO já está na sétima edição, mas esta é apenas a segunda edição brasileira, publicada após um intervalo de 23 anos, o que segundo Donadelli, é um marco relevante para o Brasil, especialmente após a realização da COP30.
De acordo com a pesquisadora, o documento busca ser uma ponte entre a academia e as políticas públicas, trazendo evidências científicas para embasar decisões. “O GEO é um modelo de relatório produzido ao redor do mundo pela ONU, com o objetivo de apresentar uma avaliação do estado do meio ambiente com evidências científicas, tendências ambientais e respostas que vêm sendo dadas aos desafios identificados”, afirmou, lembrando que houve um pré-lançamento do relatório durante a COP30.
A metodologia do projeto segue diretrizes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), estruturada em cinco pontos: forças motrizes dos impactos ambientais, como crescimento populacional e migrações; pressões resultantes dessas forças, como desmatamento, alteração da vegetação e atividades humanas; estado do meio ambiente decorrente dessas pressões, com impactos reais como aumento da temperatura e crise climática; consequências físicas e sociais; e respostas elaboradas para enfrentar esses desafios.
Cada autor, dentro de sua temática, procurou responder a perguntas-chave: o que está acontecendo com o meio ambiente e por quê? Quais são as consequências? O que está sendo feito? Quão eficazes são essas medidas? O que é possível fazer para garantir um futuro mais sustentável?
“É um relatório que também traz perspectivas transformadoras para o futuro”, destacou Donadelli.
Em vídeo exibido na plenária, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou a importância do documento:
“O lançamento do GeoBrasil 2025 é mais do que um relatório: é um retrato profundo do país. Após a COP30, em Belém, onde conseguimos liderar um processo baseado na ciência, promovendo diálogo com diferentes segmentos e assumindo compromissos sobre o que realmente precisa evoluir, este relatório chega para consolidar esse legado.”
Para a ministra, o relatório oferece dados robustos, análises integradas e uma visão abrangente dos biomas brasileiros, dos desafios e das oportunidades de transformação. “O GeoBrasil nos ajuda a compreender como as crises do clima, da biodiversidade e da poluição se conectam e, mais importante, aponta caminhos concretos para um desenvolvimento sustentável, justo e respeitoso com a natureza.”
O retrato ambiental do Brasil
O relatório revela que as mudanças climáticas no Brasil têm provocado aquecimento em todos os biomas, com aumentos históricos no Pantanal, cerca de 3°C, e no Cerrado, até 4°C. Há também pressões antrópicas sobre a biodiversidade, e a qualidade do ar no Brasil representa um risco crítico à saúde pública, com a poluição atmosférica sendo responsável por cerca de 51 mil mortes prematuras por ano.
O documento adverte ainda que o Brasil enfrenta a “tríplice crise planetária” - mudança climática, perda de biodiversidade e poluição - e que, apesar de possuir uma legislação ambiental robusta e uma matriz energética limpa, o país ainda não conseguiu conter a degradação dos seus biomas nem preparar as suas cidades para serem livres de poluição e resilientes a eventos climáticos extremos.
O relatório expõe a contradição de um modelo de desenvolvimento que, embora lidere na produção de alimentos e energia renovável, continua a aumentar as emissões de gases de efeito estufa e o uso de agrotóxicos, além de criar desigualdades econômicas, sociais e ambientais.
A conclusão central é a urgência de uma Transformação Ecológica que integre efetivamente a economia e o meio ambiente, superando a fragmentação institucional para garantir um futuro sustentável e socialmente justo.
O documento lançado pelo MMA contou com coordenação executiva da Fundação Getulio Vargas, apoio técnico e financeiro do PNUMA e colaboração do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Confira a transmissão completa da plenária no YouTube (a apresentação do Geo Brasil começa em 4h30m): clique aqui.
Para saber mais, acesse o sumário executivo e o relatório completo.