Seguro agrícola e inovação ganham protagonismo em eventos com pesquisadores da FGV na COP30
Pesquisadores da Fundação Getulio Vargas participaram, no dia 20 de novembro, de uma tarde intensa de debates na Casa do Seguro durante a COP30, em Belém. A programação destacou o papel estratégico do seguro agrícola diante da emergência climática global e trouxe reflexões sobre inovação e resiliência no campo.
A abertura foi conduzida por Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV e enviado especial para Agricultura. Ele ressaltou que esta conferência marca um ponto de virada para o agro brasileiro. Segundo Rodrigues, as edições anteriores da COP trataram a agricultura como tema secundário, sem contemplar questões como a transição energética justa no setor de agroenergia.
“A COP30 permitiu ao Brasil mostrar ao mundo que o agro tropical pode ser protagonista na solução de quatro desafios centrais: insegurança alimentar, transição energética justa, desigualdade social e mudanças climáticas. Esses quatro temas podem ser resolvidos pelo agro tropical”, afirmou, destacando a oportunidade estratégica para o país.
Na sequência, o painel “Seguros como instrumento de proteção da produção agrícola no contexto da transição climática: desafios do Brasil e boas práticas internacionais” reuniu representantes de entidades e empresas do setor.
Pedro Loyola, coordenador do Observatório do Seguro Rural, do Centro de Estudos em Agronegócio (FGV Agro), trouxe uma análise sobre a baixa penetração do seguro rural em regiões fora do centro-sul e apontou caminhos para ampliar a cobertura.
Ele explicou que, embora seguros paramétricos sejam frequentemente citados como solução, sua aplicação no Brasil exige adaptações:
“Não há bala de prata. O seguro paramétrico funciona bem em países como México e Colômbia para pequenos produtores, com apoio governamental ou cooperativo. No Brasil, temos algo semelhante com o Fundo Garantia Safra, que atende até um milhão de famílias”, observou.
Loyola defendeu o desenvolvimento de novos modelos de ampliação de recursos do PSR com direcionamento de recursos para atender a demanda dos produtores em regiões não atendidas, especialmente diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos.
Encerrando a programação, o painel “Tecnologia e inovação no campo para resiliência climática” discutiu como aproximar startups, grandes corporações e pequenos produtores em torno de uma agenda comum. Guilherme Bastos, coordenador do FGV Agro e moderador do debate, destacou a importância do setor privado para dar continuidade às pesquisas e ampliar recursos destinados à adaptação climática.
Durante o debate, ele lembrou que iniciativas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) dependem hoje de acordos com o Banco Central via Proagro. “É preciso aproximar startups, pequenos produtores e grandes corporações do agro em torno de uma agenda comum de resiliência climática, com foco em inovação aberta e impacto mensurável”, afirmou.
A participação da FGV na Casa do Seguro reforça a relevância do diálogo entre academia, setor privado e governo para enfrentar os desafios impostos pela transição climática e garantir a sustentabilidade da produção agrícola no Brasil.
É possível conferir os debates na íntegra através deste link.
A cobertura completa da participação da Fundação Getulio Vargas na COP30, incluindo agendas, conteúdos exclusivos e contribuições dos pesquisadores da instituição para a ação climática global, está disponível na Plataforma Agenda do Clima FGV. As opiniões expressas nesta publicação são de exclusiva responsabilidade dos pesquisadores colaboradores e não refletem necessariamente a posição oficial da Fundação Getulio Vargas.