Industrialização verde com UNU WIDER
O Brasil tem uma trajetória única na transformação verde, impulsionada inicialmente pela busca por segurança energética nos anos 1970, com destaque para o Programa do Álcool, que substituiu combustíveis fósseis por etanol. A partir dos anos 2000, o foco passou a ser o enfrentamento das mudanças climáticas, com políticas voltadas para fontes como a energia eólica. Hoje, o país se destaca mundialmente com 93% de sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis.
Apesar desses avanços, o Brasil enfrenta grandes desafios, especialmente relacionados às emissões por mudança no uso da terra e desmatamento, que ainda representam a maior parcela das emissões nacionais. Ao mesmo tempo, há oportunidades significativas, como o desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia, a expansão do mercado de carbono e o aproveitamento das vantagens naturais do país em biodiversidade e fontes renováveis. Iniciativas como o Fundo Amazônia e pressões internacionais reforçam a necessidade de ação coordenada.
O papel do Estado tem sido central na promoção da transição, com destaque para o recente Plano de Transformação Ecológica, que prevê redução de emissões, geração de empregos verdes e melhor distribuição de renda. A criação de um mercado de carbono regulado e os investimentos em hidrogênio verde também mostram um avanço rumo à consolidação de uma economia de baixo carbono. A principal lição é que o sucesso da transformação depende da articulação entre políticas públicas, inovação tecnológica e alinhamento entre governança nacional e global.
Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP)
Pesquisador: José A. Puppim de Oliveira
Links importantes sobre o Workshop e apresentações:
Promoting green structural transformation in the Global South
Fostering clean transitions and green industrialization in the Global South
Patterns and drivers of global inequality