Pesquisador da FGV debate mercado de carbono e oportunidades para o agronegócio brasileiro
O coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), Guilherme Bastos, participou, no dia 17 de março, de um debate promovido pelo Instituto Equilíbrio, em Brasília (DF). O evento reuniu especialistas e lideranças para discutir os desafios e as oportunidades do mercado de carbono, com foco na regulação e no financiamento da transição para uma economia de baixo carbono no agronegócio brasileiro.
Voltado a um público estratégico, o encontro promoveu um diálogo sobre caminhos regulatórios, instrumentos financeiros e arranjos institucionais capazes de fortalecer a competitividade do setor agropecuário nacional e posicionar o Brasil de forma diferenciada no contexto da nova economia global.
Durante sua apresentação, Bastos apresentou os impactos econômicos, ambientais e climáticos associados à adoção das tecnologias do Plano ABC+ (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), com base em modelagens desenvolvidas pelo FGV Agro. “A transição para uma agricultura de baixo carbono não apenas é tecnicamente viável, como também representa uma oportunidade econômica estratégica para o país”, ressaltou.
Os resultados apresentados indicam que a adoção integrada das tecnologias do ABC+ até 2030 pode gerar um acréscimo de R$ 532,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), com impacto positivo de 4,5% em relação ao cenário de referência, além da criação de aproximadamente 951 mil novos empregos no setor agropecuário.
Do ponto de vista ambiental, o cenário analisado aponta para a mitigação de 132,4 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, o que corresponde a cerca de 15% da meta brasileira de redução de emissões, além do desmatamento evitado de 15,2 milhões de hectares.
Outro ponto ressaltado foi a eficiência econômica da agenda climática no agro. De acordo com a análise do FGV Agro, cada real investido nas tecnologias do ABC+ pode gerar um retorno médio de R$ 7,6.
“Nossos resultados evidenciam que sustentabilidade e competitividade caminham juntas. Tecnologias como bioinsumos, recuperação de pastagens, sistemas integrados de produção e biocombustíveis são fundamentais para ampliar os ganhos econômicos e ambientais”, explicou.
Ao relacionar esses resultados ao debate sobre o mercado de carbono, Bastos enfatizou que instrumentos financeiros bem estruturados e um arcabouço regulatório claro são essenciais para viabilizar investimentos de longo prazo, reduzir riscos e criar incentivos adequados para produtores rurais.
“Nesse contexto, o mercado de carbono surge como um mecanismo relevante para internalizar benefícios ambientais, ampliar o acesso ao crédito e acelerar a adoção de práticas sustentáveis no campo”, destacou.